Merck Sharp & Dohme e Bristol-Myers Squibb licenciam à PIM novo medicamento microbicida para a SIDA a ser desenvolvido para protecção das mulheres contra o VIH
Novo estudo publicado na Nature demonstra o potencial dos compostos “inibidores de entrada” como ferramenta de prevenção do VIH
Numa acção conjunta sem precedentes, duas das empresas farmacêuticas líderes mundiais, a Merck Sharp & Dohme (MSD) e a Bristol-Myers Squibb (BMS) anunciaram a assinatura de acordos de licenciamento separados com a Parceria Internacional de Microbicidas (PIM) para o desenvolvimento dum novo composto anti-retrovirico potencialmente microbicida na protecção das mulheres contra o Vírus de Imunodeficiência Humana (VIH). Ao abrigo destes acordos, a MSD e a BMS concederão, a esta organização sem fins lucrativos, uma licença livre de direitos para desenvolver, produzir e distribuir os seus compostos a serem utilizados em países com recursos limitados.
Anunciado na véspera da Reunião Global sobre Saúde da TIME, este acordo marca a primeira vez em que uma empresa farmacêutica licencia um composto contra o VIH para o desenvolvimento de um microbicida, sendo esta classe de medicamentos tão recente. Os compostos fazem parte duma nova classe de anti-retrovíricos conhecidos como “inibidores de entrada”. Alguns dos compostos ligam-se directamente ao VIH; outros ligam-se ao receptor CCR5. Foram concebidos para impedir de forma eficiente que o VIH entre nas células hospedeiras, impedindo assim a infecção.
Um estudo publicado na revista Nature afirma que os compostos inibidores de entrada desenvolvidos pela MSD (CMPD 167) e pela BMS (BMS-378806), quando usados como microbicidas vaginais, protegiam algumas macacas da infecção por um vírus semelhante ao VIH. A equipa de investigação foi chefiada pelo Dr. John Moore do Colégio Médico de Weill da Universidade de Cornell, e o Dr. Ronald Veazey do Centro Nacional de Investigação de Primatas de Tulane, e o estudo foi financiado pelos NIH (National Institute of Health) dos EUA e outros grupos. A MSD e a BMS estão a conceder à PIM licenças livres de direitos para estes medicamentos ou para outros compostos relacionados.
Estes microbicidas podem ser desenvolvidos sob a forma de gel ou creme, que podem ser aplicados topicamente na vagina ou num anel vaginal que liberta o medicamento gradualmente ao longo dum determinado período, reduzindo a transmissão do VIH durante o coito vaginal. Prevê-se que um microbicida mesmo sendo apenas parcialmente eficaz, possa impedir 2,5 milhões de infecções por VIH num período de três anos.
“Estes acordos históricos marcam um ponto de viragem no compromisso da indústria farmacêutica, no desenvolvimento dum microbicida seguro e eficaz para proteger as mulheres do VIH”, referiu a Dra. Zeda Rosenberg, Chefe Executiva da PIM. “Estes inibidores de entrada são uma esperança como potenciais microbicidas. Agradecemos à MSD e à BMS pela sua liderança e compromisso ao ajudarem-nos a desenvolver novas tecnologias para proteger milhões de mulheres.” A Dra. Rosenberg garante que a equipa científica da PIM iria agir rapidamente para desenvolver e testar estes compostos microbicidas.
“A MSD orgulha-se de contribuir com os resultados da nossa investigação e desenvolvimento para este esforço mundial de protecção das mulheres”, afirmou o Dr. Adel Mahmoud, Consultor Médico Chefe para Vacinas e Doenças Infecciosas da MSD. “Este acordo apoia-se no trabalho de longa data da MSD na área do VIH/SIDA, quer através da nossa investigação e desenvolvimento de novos medicamentos contra o VIH e futuras vacinas, como também através de parcerias público-privadas tais como o nosso programa com o governo do Botswana e a Fundação Bill & Melinda Gates.”
“Levamos muito a sério a nossa responsabilidade social”, disse o Sr. John L. McGoldrick, Vice-presidente Executivo da BMS. “Este acordo e outros programas da BMS, tais como o programa Assegurar o Futuro dedicado a ajudar as mulheres e crianças afectadas pela SIDA em África, demonstram o compromisso da nossa companhia em ajudar as pessoas dos países em vias de desenvolvimento a responder eficazmente ao VIH/SIDA.”
Ao abrigo destes acordos, a MSD e a BMS disponibilizarão licenças livres de direitos à PIM para desenvolver, produzir e distribuir os compostos microbicidas nos países em vias de desenvolvimento. Três empresas farmacêuticas líderes de mercado celebraram parcerias com a PIM. Em Março de 2004 o grupo assinou um acordo com a Tibotec Pharmaceuticals Ltd., subsidária da Johnson & Johnson para o desenvolvimento do TMC120, um inibidor não nucleosídeo da transcriptase reversa sob a forma de microbicida.
“Estes acordos inovadores demonstram como os sectores público e privado podem trabalhar em conjunto para dinamizar novas e prometedoras tecnologias para proteger as mulheres de serem infectadas pelo VIH”, referiu a Dra. Helene Gayle da Fundação Bill & Melinda Gates, que é um dos principais patrocinadores da PIM. “A BMS, a MSD e a J&J lideram estas parcerias para o desenvolvimento dos seus compostos mais prometedores como potenciais novas tecnologias na prevenção do VIH. Esperamos que outras empresas com potenciais compostos contra o VIH estabeleçam compromissos idênticos.”
“Estas empresas não podiam ter sido mais cooperantes ao disponibilizarem os seus compostos para a nossa investigação, ao mesmo tempo que concedem os direitos da propriedade intelectual a uma organização sem fins lucrativos como a PIM, para o desenvolvimento de microbicidas refere o Dr. Moore. “ Este é um importante passo em frente”. O Dr. Moore referiu que esta investigação foi também financiada pelo programa Liberdade de Descobrir da BMS, um programa sem interesses comerciais que concede financiamento para a investigação biomédica.
“ A procura de um microbicida eficaz é crucial para proporcionar às mulheres mais opções para uma protecção contra a infecção por VIH”, afirmou o Dr. Peter Piot, Director Executivo da UNAIDS (Joint United Nations Program on HIV/AIDS). “As parcerias anunciadas hoje pela PIM com as empresas farmacêuticas BMS e MSD representam o tipo de colaboração inovadora necessária com o sector privado não só para tornar esta tecnologia uma realidade, mas também para assegurar que milhões de mulheres em todo o mundo possam beneficiar dela.”
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