Os Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC) são a principal causa de morte em Portugal e na Europa. Estudos apontam para a ocorrência de 81 AVC por dia em Portugal nos próximos dez anos, onde dois portugueses morrem por hora de acidente vascular cerebral. O AVC é considerado uma "catástrofe evitável", causando a morte a cerca de 575.000 pessoas por ano na Europa. É também a principal causa mundial de incapacidade, pelo que impõe gastos significativos ao nível dos sistemas de saúde.
O estudo, realizado a cerca de 9000 pessoas com 54 ou mais anos, permitiu concluir que 7,9% dos avaliados eram fumadores, 10,7 % acusaram diabetes e 18,7% tinham já antecedentes de AVC. Do total dos inquiridos, 96% tinham valores de pressão arterial acima do desejável. Sendo a hipertensão responsável por dois terços dos AVCs, tem que haver um maior esforço no sentido de corrigir estes valores na população portuguesa, para que no futuro a incidência do AVC venha a diminuir no nosso país

Estes dados estão são o resultado de um estudo pioneiro levado a cabo em 2005 pela Fundação Portuguesa de Cardiologia (FPC) e do Instituto Português de Reumatologia (IPR), com o apoio da Merck Sharp & Dohme (MSD), que percorreu o País avaliando os riscos de Acidente Vascular Cerebral (AVC) e de Osteoporose. O estudo em causa percorreu 63 localidades de Norte a Sul do País, e, nos 106 dias de campanha, foram avaliadas cerca de 9000 pessoas, dos quais 2.536 eram homens e 6.333 mulheres.
Por regiões, a distribuição dos inquiridos foi a seguinte:
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Tensão arterial normal em tratamento
|
| Região |
Não
|
Sim
|
TOTAL
|
| Alentejo |
8
|
6
|
14
|
| % |
57.1
|
42.9
|
100
|
| Algarve |
36
|
5
|
41
|
| % |
87.8
|
12.2
|
100
|
| Centro |
98
|
16
|
114
|
| % |
86
|
14
|
100
|
| LxVTejo |
85
|
26
|
111
|
| % |
76.6
|
23.4
|
100
|
| Norte |
149
|
35
|
184
|
| % |
81
|
19
|
100
|
| TOTAL |
376
|
88
|
464
|
|
%
|
81
|
19
|
100
|
Entre os graus de Hipertensão, registámos que na Hipertensão de Grau I (entre 140/90 e 160/100 mmHg) mais de metade dos Hipertensos afirmaram não estar a fazer tratamento, ou seja a Tensão Arterial não estava controlada.
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Hipertensão Grau I em tratamento
|
| Região |
Não
|
Sim
|
TOTAL
|
| Alentejo |
60
|
50
|
110
|
| % |
54.5
|
45.5
|
100
|
| Algarve |
163
|
83
|
246
|
| % |
66.3
|
33.7
|
100
|
| Centro |
502
|
411
|
913
|
| % |
55
|
45
|
100
|
| LxVTejo |
369
|
331
|
700
|
| % |
52.7
|
47.3
|
100
|
| Norte |
680
|
382
|
1062
|
| % |
64
|
36
|
100
|
| TOTAL |
1774
|
1257
|
3031
|
| % |
58.4
|
41.5
|
100
|
Relativamente à Hipertensão de Grau II (superior a 160/100 mmHg) quase metade dos Hipertensos afirmou não estar a fazer tratamento. A restante metade apesar de indicar estar a fazer tratamento, verificou-se, através da avaliação da Tensão Arterial, que o tratamento não estava a ser eficaz pois a Tensão Arterial não estava controlada.
Apesar de não se encontrarem diferenças muito significativas entre regiões, o Alentejo apresenta-se como a região que maior probabilidade tem de risco de AVC e entre géneros, o Homem corre maior risco do que a mulher.
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Média (IC95%) de Risco de AVC
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| Região |
|
|
| Alentejo |
16.4
|
10.3
|
| Algarve |
14.5
|
8.6
|
| Centro |
12.3
|
8.3
|
| LxVTejo |
14.2
|
9.2
|
| Norte |
12.5
|
7.4
|
Em resumo, segundo a análise do estudo, 13% dos homens com 54 e mais anos avaliados vão ter um AVC nos próximos 10 anos e entre as mulheres da mesma faixa etária serão 8,2%
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