Na 66ª Sessão Cientifica Anual da Associação Americana de Diabetes (ADA), que decorreu de 9 a 13 de Junho, em Washington, foram apresentados novos resultados de fase III de ensaios clínicos do Sitagliptina que demonstraram que o medicamento oral de toma única diária para o tratamento da diabetes tipo 2 reduziu, de forma significativa, os níveis de açúcar (glucose) no sangue, quando utilizado em monoterapia ou como complemento terapêutico de duas terapias usuais (metformina ou pioglitazona). Além disso, o tratamento com o Sitagliptina melhorou o funcionamento das células beta. As células beta são células do pâncreas que produzem e fazem circular a insulina (a hormona que ajuda o corpo a transformar a glucose em energia).
Nestes estudos, Sitagliptina apresentou uma incidência global de efeitos secundários semelhante ao placebo e foi bem tolerado. Os efeitos secundários mais frequentes registados com Sitagliptina (incidência =3% e superior em relação ao placebo) foram obstrução ou corrimento nasal e garganta seca; dor de cabeça; diarreia; infecção das vias respiratórias superiores; dor nas articulações, e infecção urinária (com diferenças em relação ao placebo de 0,1% a 1,5%).
Sitagliptina é um medicamento em investigação, de toma única diária, que poderá potencialmente ser o primeiro de uma nova classe de medicamentos de toma oral (inibidores de dipeptidil peptidase-4 [DPP-4]) que estimulam o aumento da capacidade do próprio organismo para baixar os níveis de açúcar (glicose) no sangue quando estes estão elevados. O mecanismo de acção dos inibidores da DPP-4 é diferente do de quaisquer outros medicamentos redutores de glicose actualmente disponíveis.
(o Placebo imita exactamente um fármaco verdadeiro, mas é formado por substâncias químicas inactivas, como o amido ou o açúcar. Os placebos usam-se na investigação clínica para os comparar com os fármacos activos.)
Um importante factor predicativo da magnitude de redução de HbA1C em resposta a uma terapêutica anti-hiperglicémica é o nível basal de HbA1C de um doente (HbA1C é uma medida do nível médio de glicose no sangue que uma pessoa teve nos últimos dois ou três meses). Em três estudos em monoterapia, em doentes com níveis de HbA1C ligeira a moderadamente elevados (valores basais de HbA1C entre 7,5% e 8,1%), Sitagliptina 100mg uma vez por dia (a dose proposta para registo) demonstrou uma redução média significativa da HbA1C que variou de 0,60% a 1,05%, após subtracção do efeito do placebo, pelo que esta variação corresponde ao valor real do efeito do medicamento.
Nestes estudos, o efeito médio do Sitagliptina nos valores de HbA1C foi maior em doentes com níveis basais elevados de HbA1C. Sitagliptina demonstrou reduções médias significativas da HbA1C após subtracção do efeito placebo, de 1,20% a 1,50% nos doentes com os níveis basais de HbA1C mais elevados (um subgrupo predefinido de doentes com níveis basais de HbA1C de =9%; os doentes envolvidos no estudo tinham valores basais de HbA1C =6,5% e =10%). Nos doentes do subgrupo predefinido com níveis basais mais baixos (níveis basais de HbA1C <8%), as reduções médias de HbA1C, após subtracção do efeito do placebo foram de 0,44% a 0,57%. Os estudos em monoterapia demonstraram também que Sitagliptina reduziu substancialmente quer os níveis de glicose plasmática em jejum (glicemia em jejum) quer os níveis de glicose pós-prandial (GPP) ou pós-refeição.
"Os resultados apresentados demonstraram efeitos significativos na redução de glicose num amplo leque de doentes com diabetes tipo 2, especialmente naqueles com valores basais mais elevados de HbA1C. Nestes estudos, foi observada um baixa taxa de hipoglicémia e o Sitagliptina foi, em geral, neutro nos efeitos no peso dos doentes", referiu o Dr. Edward S. Horton, vice-presidente do Centro de Diabetes Joslin de Boston, EUA, e responsável pela divisão de investigação. "Se for aprovado, Sitagliptina será uma inovadora e benéfica adição aos tratamentos de que os médicos dispõem para tratar esta complexa doença crónica", referiu.
Em outros dois estudos de Fase III de associação, em doentes cujos níveis plasmáticos de glicose estavam inadequadamente controlados quer com metformina ou com um TZD (pioglitazona) e que apresentavam níveis basais de HbA1C ligeira a moderadamente elevados (valores basais médios de HbA1C de aproximadamente 8%), a associação de Sitagliptina, 100mg em toma única diária, demonstrou uma redução adicional significativa da HbA1C de 0,65% e 0,70% respectivamente, após subtracção do efeito do placebo (ambos p<0.001 vs. placebo). Aproximadamente o dobro dos doentes que adicionaram Sitagliptina após subtracção do efeito do placebo atingiu os valores de HbA1C inferior a 7% (47% vs. 18% e 45% vs. 23% nos estudos de associação com metformina e pioglitazona, respectivamente).
A disfunção de células beta, caracterizada por uma redução da capacidade de produção de níveis adequados de insulina, acontece no início do desenvolvimento da doença e é necessário para o desenvolvimento da diabetes tipo 2. Nos estudos em monoterapia, Sitagliptina provocou melhorias significativas nos parâmetros de função das células beta: HOMA-Beta e os níveis em jejum de proinsulina/insulina.
"A MSD está empenhada em descobrir e desenvolver novos tratamentos para doentes com diabetes tipo 2. Acreditamos que o nosso medicamento actualmente em investigação, Sitagliptina representa e demonstra este empenho", disse John Amatruda, médico, vice-presidente da investigação clínica das doenças metabólicas da MSD. "A MSD tem um extenso programa de investigação para o Sitagliptina® e estamos ansiosos por partilhar os resultados dos ensaios pré-clínicos, do mecanismo de acção e dos ensaios clínicos à comunidade científica."
A segurança e tolerabilidade do Sitagliptina em dose única diária de 100mg e 200mg (o dobro da dose proposta para registo) foram avaliadas pelos resultados agrupados de dois estudos em monoterapia e dois estudos de associação. A incidência global dos efeitos adversos clínicos e laboratoriais foram semelhantes entre Sitagliptina e o placebo. A incidência de hipoglicemia foi semelhante entre Sitagliptina e o placebo (1,2% em 100mg, 0,9% em 200mg e 0,9% com placebo) e não foram observadas alterações clínicamente significativas do peso corporal entre o placebo e Sitagliptina, nestes estudos. Os efeitos secundários mais frequentes registados com Sitagliptina (incidência =3% e superior em relação ao placebo) foram obstrução ou corrimento nasal e garganta seca; dor de cabeça; diarreia; infecção das vias respiratórias superiores; dor nas articulações, e infecção urinária (com diferenças em relação ao placebo de 0,1% a 1,5%).
Não foram registadas diferenças clinicamente significativas nos valores laboratoriais, de acordo com as pré-especificações definidas. Apesar de não serem clinicamente significativos, ocorreram ligeiros aumentos do ácido úrico e da contagem de glóbulos brancos do sangue (devido a um ligeiro aumento dos neutrófilos) e uma ligeira diminuição de fosfatase de alcalina, com Sitagliptina quando comparado com placebo. Nestes estudos não foram registadas alterações significativas nos sinais vitais ou no ECG, incluindo os intervalos QTc.
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